Uma notícia curiosa chamou a atenção recentemente no universo das artes visuais. Uma empresa especializada em cobrir o mercado da arte publicou que algumas casas de leilão e museus estão planejando negociar pequenas frações de obras de arte — isso mesmo, como se fossem ações na bolsa de valores.
Com o avanço dos NFTs, a movimentação intensa da bolsa de valores, e as transformações impulsionadas pelo distanciamento social, o mercado da arte precisou se reinventar. Ferramentas como as Online Viewing Rooms tornaram-se comuns para artistas mostrarem seus trabalhos de forma digital, e agora parece que chegou a vez do investimento fracionado entrar na jogada.
Para entender melhor essa proposta, pense na lógica da bolsa de valores: ao comprar ações, você adquire uma pequena participação em uma empresa. O lucro vem da valorização dessas ações e da distribuição de dividendos.
Trazendo isso para o mundo da arte, imagine que uma obra funciona como uma empresa. O artista, então, seria como uma holding, responsável pela criação de várias “ações” — suas obras.
A ideia é simples, mas ambiciosa: vender pequenas partes de uma obra — por exemplo, frações de 3cm x 3cm — rateadas de acordo com o tamanho total e o valor da peça. Isso poderia se aplicar a pinturas, esculturas, fotografias e outros formatos.
A proposta levanta uma dúvida importante: se várias pessoas são “donas” de uma obra, quem ficará com ela fisicamente?
Duas respostas possíveis surgem:
Agora imagine visitar um museu renomado e dizer: “eu sou proprietário de uma fração dessa obra”. Além disso, o colecionador de uma fração poderia receber um print de altíssima qualidade da obra e um certificado de autenticidade.
A ideia se aproxima de debates museológicos. Em acervos fixos de grandes galerias, o modelo poderia funcionar de forma semelhante à de museus: o acervo continua exposto ao público, mas com múltiplos investidores participando da valorização da obra ao longo do tempo.
Para quem está publicando seu primeiro NFT, esse conceito pode parecer familiar: o fracionamento digital de um ativo único. No entanto, segundo as informações divulgadas, essa nova estratégia de rateio físico será, a princípio, voltada apenas para obras de grandes mestres e artistas de prestígio no mercado internacional.
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